Uma pesquisa do DataSenado divulgada na semana passada merece atenção para além do índice principal. O levantamento estima que 38% das mulheres com deficiência já sofreram violência doméstica ou familiar praticada por um homem, em comparação com 25% das mulheres sem deficiência. A estimativa equivale a mais de 4,4 milhões de brasileiras com deficiência.

Reconhecer a violência também é uma barreira

Entre as entrevistadas com deficiência que inicialmente afirmaram não ter sofrido violência, 34% relataram situações compatíveis com violência doméstica, familiar ou digital nos 12 meses anteriores à entrevista. Esse resultado não deve ser somado aos 38%: os indicadores têm perguntas e recortes distintos.

A distância entre vivenciar uma situação e identificá-la como violência exige informação acessível, escuta qualificada e canais de proteção utilizáveis por mulheres com diferentes deficiências. Uma resposta pública efetiva depende de acessibilidade na comunicação, acolhimento sem revitimização e articulação dos serviços.

Contexto temporal: os dados foram apresentados em 23 de setembro. Esta análise foi publicada pela Singulare em 29 de setembro; não se trata de uma nova coleta ou divulgação ocorrida hoje.