Uma análise de registros de saúde apresentada no congresso europeu de diabetes, em Milão, encontrou maior frequência de diagnósticos de TDAH e autismo entre pessoas com diabetes tipo 2, especialmente nas faixas mais jovens. O Leicester Diabetes Centre divulgou os resultados em 1º de outubro.

O que os pesquisadores compararam

A investigação utilizou dados norte-americanos e reuniu 3,4 milhões de pares de pessoas, com e sem diabetes, comparáveis em características demográficas. Entre os diagnosticados com diabetes antes dos 20 anos, o TDAH apareceu em 14,4%, contra 6,9% no grupo sem diabetes. Para autismo, os percentuais foram 5,72% e 1,79%.

Esses números descrevem os grupos estudados. Não representam a probabilidade de uma pessoa autista ou com TDAH desenvolver diabetes.

Associação não é causa

O estudo é observacional, baseado em registros hospitalares que podem conter falhas e não representar toda a população. Diferenças na frequência de consultas também podem influenciar a identificação de diagnósticos. Os resultados não demonstram que autismo ou TDAH causem diabetes, nem que a maioria das pessoas neurodivergentes terá a doença.

Por que o achado importa

O recado dos pesquisadores é organizar serviços que considerem comunicação, ambiente sensorial e dificuldades na rotina de cuidado. A apresentação ocorreu na programação de 29 de setembro da EASD, congresso que termina em 2 de outubro.

O resultado sustenta novas perguntas de pesquisa e atenção à acessibilidade. Não constitui, isoladamente, uma nova recomendação de tratamento ou de rastreamento universal.