Contratar mulheres com deficiência é apenas uma etapa da inclusão. As oportunidades de assumir responsabilidades, desenvolver uma carreira e participar das decisões também precisam ser acessíveis. Essa é a questão levantada por um relatório divulgado nesta quinta-feira, 15 de outubro, pela organização australiana People with Disability Australia (PWDA).

O documento reúne aprendizados do projeto Advancing Women, realizado entre janeiro de 2023 e julho de 2026. A iniciativa alcançou 107 mulheres com deficiência e envolveu organizações de nove setores.

As barreiras continuam depois da entrada

Antes da participação, 82% das respondentes da avaliação relataram barreiras às oportunidades de liderança. O dado descreve as participantes consultadas, não todas as mulheres com deficiência da Austrália.

Segundo a organização, mentoria, formação conduzida por pessoas com deficiência e redes profissionais contribuíram para confiança e clareza de objetivos. A conclusão central é que o desenvolvimento individual precisa vir acompanhado de mudanças nas próprias organizações.

Seis frentes para mudar práticas

O relatório recomenda compromisso e responsabilização das organizações; ampliação da mentoria; fortalecimento de redes; formação acessível e adequada a diferentes trajetórias; avaliação flexível dos programas; e investimento contínuo nas oportunidades de emprego e liderança.

Para uma empresa, essas recomendações podem ser traduzidas em perguntas concretas: quem recebe projetos de maior visibilidade? Como são definidos os critérios de promoção? A formação de líderes é acessível? Os apoios acompanham a pessoa quando sua função muda?

Uma referência para o debate brasileiro

A publicação trata da experiência australiana e não altera regras brasileiras. Sua contribuição é chamar atenção para a carreira depois da contratação e para a participação de pessoas com deficiência na construção das soluções.

Isso também evita reduzir inclusão a números de admissão. A qualidade das oportunidades aparece no cotidiano, na distribuição de responsabilidades e no acesso às decisões.

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